«BURLA TAILANDESA – Para além do Processo»

BREVEMENTE na Amazon, com chancela da Nimba Edições, «BURLA TAILANDESA – Para além do Processo» – a nova obra literária do conceituado jornalista angolano PAULO SÉRGIO, premiado como jornalista mais destacado do jornal OPAÍS, com a Coordenação Editorial de Luís Vicente e Prefácio de José Kaliengue.

Excerto de Prefácio | José Kaliengue

O autor deste livro é, justamente, a pessoa mais indicada para o ser em Angola, ninguém escreveu tanto quanto Paulo Sérgio sobre os meandros da “Burla Tailandesa”. Fê-lo no trilho do seu trabalho como jornalista que nos deve outros livros, os das suas mãos cheias e ainda a sobrar de julgamentos que ele vai continuar a cobrir ao longo dos anos e que merecem, principalmente para estudiosos futuros, uma narração à qual serão apensos mais detalhes e mais alma humana do que na reportagem em forma de página de jornal, com as suas limitações de espaço e exigência do “essencial”, ainda que se possa pensar que o curso de alguns julgamentos também se vai deixando influenciar aqui e acolá pelas publicações dos repórteres.

Há um número neste livro – cinquenta mil milhões (de dólares) -, pedra de toque, trave mestra de todo o processo, de todas as ambições e da magia que o dinheiro tem para atrair e, também, trair pessoas de todos os extractos sociais e de todos os tipos de formação, demonstração de que, afinal, é demasiado forte o magnetismo do metal tido como vil. A tal ponto que turva tudo em seu redor, inclusive a vontade de fazer justiça.

Contado em dinheiro, o número é demasiado grande, irresistível indutor de comportamentos inesperados, catalisador de súbitas paixões que, na sua essência, na forma como moldam as fraquezas humanas, assemelham o justiceiro à vítima e esta ao agente que o esgrime.

Mesmo não sendo objecto de estudo académico no seu propósito, nunca poderá dele fugir a academia, que preza, no entendimento futuro, a memória de um dos momentos mais “distintos” da política e do judicial angolanos, nas suas interligações, influências e até contaminação mútua, num súbito agitar de águas demasiado turvas e pesadas e quase petrificadas de anos de um “bem-estar” fictício contrário à sua própria natureza.

Cinquenta mil milhões e dólares são, afinal, a mestra chave para desguarnecer “treinados instintos” de auto-protecção de patentes militares e de altos funcionários do centro do poder, pondo em risco até interesses do Estado, esquivando-se da máxima obrigação da verificação primária da origem da proposta.

Mas, por quê?


E “o porquê”, a sua necessidade. Em que assenta a actividade jornalística, é exactamente a questão mais presente ao longo desta “Burla à Tailandesa”, narrando a mal sucedida aventura de um burlão, os seus sucessos junto das mais altas esferas militares e políticas angolanas, que, nota-se capítulo após capítulo, inquinam a actividade empresarial no nosso país. É aqui que reside a importância “académica” desta obra, mais do que uma longa reportagem jornalística, mais do que a narração dos meandros de um julgamento em torno de um cheque de cinquenta mil milhões de dólares, é o escancarar de pórticos para a compreensão mais ampla e absolutamente fundamental do percurso do país sob a batuta dos seus dirigentes e subsequentes consequências sociais e económicas. É um retrato daquilo que faz de Angola uma sociedade tão complexa que não consegue tirar partido de todo o seu potencial. A Angola dos nossos dias, que pode, afinal, ser encontrada e compreendida pelos olhos de um jornalista que reflecte sobre o que é capaz a espécie humana, posta à frente de grandes números de um numerário fictício, supostamente atinente às indestrutíveis e cheias de nada “Cavernas de Ali Babá”.

Paulo Sérgio Baptista dos Santos, nasceu no Rangel, um dos bairros periféricos de Luanda, em 1983. É jornalista de profissão há mais de uma década. Iniciou a carreia profissional na empresa de Comunicação e Marketing Elo-Comunicação. Tendo mas tarde ingressado no Semanário Agora, onde trabalhou cerca de quatro anos como repórter e editor de Sociedade. Trabalhou ainda como repórter e Chefe de Redacção da extinta revista de Economia, Sociedade e Cultura Xietu Angola.

Desde 2 de Outubro de 2008 que faz parte do quadro de funcionário do jornal OPAÍS. Entrou como repórter de política, tendo mais tarde se transferido para a editoria de Sociedade. Em Dezembro de 2015 foi nomeado sub-editor de Sociedade, em Janeiro de 2018 editor de Sociedade e, em Julho de 2019, Chefe de Redacção Adjunto. É co-criador do primeiro órgão de comunicação social angolano especializado em matéria de fórum criminal e judicial em Angola, designado jornal O Crime.

É licenciado em Relações Internacionais pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e de Relações Internacionais (CIS) e formado em jornalismo pelo Instituto Médio de Economia de Luanda (IMEL). Premiado como jornalista mais destacado do jornal OPAÍS.        

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